terça-feira, 16 de maio de 2017

PRECISA-SE DE UM AMIGO



Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar. Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoas tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar aquelas que não puderam nascer. Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim. Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.

sexta-feira, 12 de maio de 2017

O Sal da Terra



Muitas pessoas declaram: “eu não sei porque sofro tanto assim! Eu não sei o que Deus quer de mim! Por que Ele não me diz o quer de mim, para que eu possa cumprir? Eu não entendo Deus!”. Essas afirmações são comuns.
O Sal da Terra (Mateus 5:13)
Jesus faz uma clara distinção entre os dois elementos que ele utiliza como figura da igreja. Ele diz que a luz é do mundo. Mas o sal é da terra. Explicar os mistérios da luz não é tão difícil. Mas por que Cristo usou o sal como figura? O sal da terra? Ele, obviamente está se referindo à sua igreja. Sua representante na terra é a igreja. Ela só faz sentido aqui e, quando for retirada daqui, a terra ficará entregue à tribulação. Se tivermos que ser sal, tem que ser aqui, agora. Depois não será possível. Nem necessário. Como Criador de todas as coisas, nosso Senhor conhece bem o sal. Ele criou o sal. Sabe exatamente do que ele é feito e para que ele serve. E ele quer que sejamos como ele.
1. O sal mantém as coisas como são. Ele conserva os alimentos. Em Malaquias 3:6 Deus diz “Eu, o Senhor, não mudo. Por isso vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos”. Ser sal é se manter fiel a Deus, é conservar a vida diante do altar do Senhor. Um dos grandes problemas dos hebreus desde o deserto era a inconstância, a mania de coxear entre dois ou vários pensamentos. Como sal devemos conservar o alimento. E qual é o alimento do crente? A Palavra de Deus. Deixa-la como está, sem alterá-la, modifica-la, ainda que isso incomode a humanidade. Esse é o segredo de se permanecer firme diante de Deus. O vai e vem não agrada a Deus, a inconstância, a instabilidade, os inúmeros desvios, tudo isso acaba nos fazendo deixar de receber muitas bênçãos. Por isso devemos ser sal. E manter as coisas de Deus como é desde o princípio.
2. O sal altera (modifica) e melhora o gosto das coisas. O que é uma comida insossa? É aquela sem gosto. Experimente um feijão sem sal. Por mais bonito que ele seja. Que gosto terá? O de feijão. Mas é bom? Não, não é bom. É como o mundo. Ele é o que é, parece bom, até pode cheirar bem. Mas ao colocado na boca imediatamente denuncia que há algo errado. O resultado final é desagradável. Como sal a igreja faz da terra um lugar melhor. Eu tenho que fazer do mundo que me cerca um lugar melhor. Foi eu quem Cristo designou para fazer a diferença. Ele diz em João 15:16 “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu quem vos escolhi, e vos designei para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça”.
3. O sal, ao contrário do açúcar, não tem atrativo algum em si mesmo. Ele só funciona quando utilizado em função dos outros. Assim é o cristão. Jesus nunca diz que devemos ser doces. Doce atrai moscas, formigas, baratas… E o sal, o que atrai? O que é doce pode ser ingerido cru, sem problema, mas sal… Esse é o problema. Não queremos ser o sal da terra. Queremos ser o doce. Ser procurados, bem recebidos, elogiados. Precisamos entender que a nossa vida com Cristo só faz sentido se pudermos cumprir pelo menos dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. E isso é feito quando falamos a verdade de Deus ao próximo. Quando não nos conformamos com esse mundo. Quando não nos rendemos aos ventos de doutrina.
4 O sal dá sede. E sabe por quê? Porque ele retém água. A água é a Palavra de Deus. Quem é sal segura a Palavra de Deus. E, ao reter a água, provoca a falta dela, o que causa mais sede. Quem é sal tem sede de Deus. E quanto mais bebe da fonte de água viva, mais quer dela. E nestes últimos dias, mais do que nunca, quando as igrejas optaram em ser açúcar em vez de sal. Resolveram parecer doces, pregando o que as pessoas querem ouvir para se sentirem bem e não o que todos nós devemos ouvir, para parecerem mais atrativas e com isso mais rentáveis, é que o verdadeiro sal da terra deve aparecer, as ovelhas do Rei Jesus. Aos portadores de suas palavras.